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Home»Brasil»A Vida Depois do Acolhimento é tema do Caminhos da Reportagem
Brasil

A Vida Depois do Acolhimento é tema do Caminhos da Reportagem

adminBy adminoutubro 20, 2025Nenhum comentário5 Mins Read
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Nesta segunda-feira (20), a TV Brasil exibe, às 23h, um novo episódio do premiado programa Caminhos da Reportagem, que tem como tema A Vida Depois do Acolhimento. A produção apresenta histórias reais de jovens que cresceram em casas de acolhimento e, ao completarem 18 anos de idade, precisaram encarar sozinhos os desafios da vida adulta.

O Brasil tem, atualmente, mais de 35 mil crianças e adolescentes em cerca de 8 mil instituições de acolhimento. Essa é uma medida extrema, adotada quando há graves situações de vulnerabilidade, como maus-tratos, abandono, violência física ou abuso sexual.

A assistente social da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal Izabel Freitas destaca que a necessidade de acolhimento ocorre por negligência. 

“A criança vai para um serviço de acolhimento porque a família, de alguma forma, não soube protegê-la. E, olhando mais profundamente, o Estado também falhou, porque várias políticas públicas não foram efetivas para evitar essa situação”, explica.

Julia Matinatto, doutora em psicologia, acrescenta que “existe um direito que é garantido, o direito à convivência familiar e comunitária”. 

“Quando há uma situação excepcional e provisória, essa criança é retirada do convívio familiar”, diz.

Entre os casos retratados pelo programa está a história de Valéria Damasceno, que foi institucionalizada ainda bebê. “Minha mãe era usuária de drogas. Ela e meu pai perderam a guarda porque nos deixavam trancados em casa, sem comida, sem água, sem nada”, revela. 

Hoje adulta, após passar por instituições de acolhimento e diversas tentativas frustradas de reintegração familiar, Valéria mora com o irmão.

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Como é o acolhimento?

Patrícia Braga, presidente da instituição Nosso Lar, em Brasília, explica como funciona o processo de acolhimento. 

“Quando a criança chega, realizamos um estudo de caso em rede, junto com o Conselho Tutelar, a Vara da Infância, o Creas e o CRAS. O primeiro investimento da instituição é tentar o retorno desse menor à família de origem, seja o pai, a avó, a tia ou um irmão mais velho”, detalha.

No entanto, se ao longo de 2 anos ficar comprovada a impossibilidade de reintegração familiar, a criança deve ser destituída do poder familiar e inserida no Cadastro Nacional de Adoção. 

O Caminhos da Reportagem mostra que essa não é a realidade da maioria.

Dados do Sistema Nacional de Adoção (SNA) mostram que a minoria dessas crianças e adolescentes é adotada. Em outubro de 2025, das 5.869 crianças e adolescentes em processo de adoção, apenas 405 encontraram novos lares desde 2019, segundo o SNA.

Maioridade

O Poder Judiciário, atento a essas dificuldades, lançou o programa Novos Caminhos, uma política nacional voltada à criação de oportunidades para jovens que vivem em instituições de acolhimento, com o objetivo de garantir uma transição segura para a vida adulta.

A juíza auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Cláudia Catafesta explica: “Pelo CNJ [Conselho Nacional de Justiça], conseguimos criar um elo com todos os tribunais do país. O objetivo é ofertar oportunidades, cuidado e proteção para crianças, adolescentes e jovens em situação de acolhimento”.

Projeto referência

O programa da TV Brasil também apresenta um exemplo de sucesso no acolhimento de crianças e adolescentes, a organização da sociedade civil Aconchego, em Brasília. Um de seus projetos é o Centelha, que já atendeu mais de 100 jovens desde 2019.

Segundo o coordenador do programa, Guilherme Ávila, o programa foi criado para acompanhar os jovens no momento da saída do acolhimento. “É muito comum esses meninos irem para a rua ou para a prostituição. Então, o Centelha trabalha com o objetivo de promover autonomia, oferecendo treinamentos, cursos profissionalizantes e oportunidades de trabalho”.

Um dos jovens apoiados pelo Centelha é Raone, de 19 anos. Hoje, mora sozinho e trabalha em uma barbearia. Aos 14 anos, após sofrer agressões da mãe, procurou o Conselho Tutelar e foi acolhido por uma instituição. O jovem, que encontrou abrigo, estudo e oportunidades para recomeçar, sonha em viver de música e poesia.

Famílias acolhedoras

A realidade dessas crianças e jovens não se resume à adoção ou ao acolhimento institucional. Existe também o programa Família Acolhedora, que propõe que o acolhimento seja feito na casa de uma família, em vez de em uma instituição.

Qualquer configuração familiar pode se candidatar ao programa. Os interessados passam por capacitações para compreender as regras e se certificarem de que estão realmente preparados para acolher uma criança ou adolescente em sua casa.

As famílias acolhedoras cadastradas são informadas, desde o início, de que ficarão temporariamente responsáveis pelos cuidados dos acolhidos, oferecendo afeto e estabilidade enquanto a Justiça decide seu futuro. E que, em hipótese alguma, poderão adotar a criança ou adolescente acolhido.

Sirlete de Paula Moreira faz parte de uma família acolhedora. Ela conta que soube da oportunidade por meio de um programa de televisão e se sensibilizou profundamente. Algum tempo depois, recebeu dois irmãos, de 2 e 6 anos, em sua casa. 

“Uma experiência muito intensa. Eles ficaram só 3 meses, mas deixaram marcas profundas e muitos sentimentos envolvidos”, relata.

Após algumas experiências de acolhimento, Sirlete recebeu, há um 1 e 3 meses, um garotinho de 12 anos. “Ele é muito carismático. Aonde ele chega, atrai os olhares”, conta.

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Com informações da Agência Brasil

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