Pesquisa com participação da Dra. Margareth Arilha investiga as marcas da pandemia nas histórias por trás dos suicídios em Diadema

O Setembro Amarelo foi encerrado pela Prefeitura de Diadema com uma palestra realizada no VIVA+, voltada à importância da prevenção ao suicídio e da criação de redes de apoio. A atividade reuniu profissionais para ampliar o diálogo sobre o tema e reforçar a importância da escuta e do acolhimento como estratégias de cuidado.O secretário municipal da Saúde participou da ação e destacou a importância de fortalecer as iniciativas de prevenção e cuidado em saúde mental no município.
Para Lidiane Melo, chefe da Educação Permanente, é fundamental que os profissionais enxerguem os sinais de vida e acolham o sofrimento sem julgamentos. Ela reforça que o trauma, quando percebido e cuidado, pode cicatrizar; quando ignorado ou minimizado, deixa marcas.

A supervisora médica de Urgência e Emergência, Dra. Danielle Alfonso, apresentou dados do SAMU sobre tentativas de suicídio, com destaque para a distribuição por faixa etária. Adultos de 20 a 39 anos concentram o maior número de registros, com 92 casos, seguidos por adolescentes de 13 a 19 anos, com 72, já entre pessoas com 60 anos ou mais, foram registradas seis tentativas.
Margareth Arilha, psicanalista, doutora em Saúde Pública e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (NEPO/Unicamp), destaca o suicídio como um fenômeno também social, relacionado a contextos de desigualdade, opressão e sofrimento. Na pesquisa, foram entrevistados familiares de 13 vítimas de suicídio, com idades entre 35 e 56 anos. As histórias analisadas foram marcadas por conflitos, solidão, desamparo afetivo e fragilidade nas relações familiares. Segundo a pesquisadora, os resultados reforçam achados de outros estudos sobre os fatores sociais e relacionais associados ao suicídio.
Complementou sobre como é o processo até chegar na ação. “É importante compreender que uma conduta suicida não surge, necessariamente, de forma repentina. Mesmo quando parece acontecer de maneira abrupta, pode ser resultado de uma trajetória marcada por intenso sofrimento. Não se trata apenas de um episódio isolado, mas de um processo que pode se acumular ao longo do tempo.”

Adriana Ferre, gestora da UBS Jardim ABC, participou da palestra e ressaltou a importância de abordar a pós-venção com os profissionais de saúde. “Este encontro foi muito rico para os profissionais de saúde, especialmente por abordar a pós-venção, um tema ainda pouco discutido. Ampliamos nosso olhar sobre como acolher e apoiar, de forma humanizada, famílias que enfrentam o luto pelo suicídio, além de pensar em estratégias de prevenção e promoção da saúde para aqueles que ficam.”
Em Diadema, o Setembro Amarelo reforçou a importância da escuta, do acolhimento e da prevenção ao suicídio, destacando o papel dos profissionais de saúde na identificação dos sinais de sofrimento e no cuidado com quem precisa de apoio.
Texto e fotos: Priscila Santana
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Com informações da Prefeitura de Diadem



