Anúncios
Anúncios..
 

A Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) lançou oficialmente em agosto a Carta-Compromisso em Defesa da Comunicação Pública nas Eleições de 2026. O documento convida partidos e candidatos a assumir 14 compromissos voltados à transparência, à ética e ao direito à informação. O principal objetivo é colocar o tema de forma permanente na agenda política e no debate eleitoral.
O documento é um dos eixos centrais do 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública (ComPública 2026), que será realizado de 16 a 18 de setembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O tema da carta conecta-se diretamente ao mote do encontro: “Uma agenda para a cidadania”. Com mais de 1.800 inscritos, o evento também marca a celebração dos 10 anos da associação.
Durante o congresso, os 14 eixos práticos da carta estarão em destaque nas mesas de abertura e nos debates sobre integridade da informação, direito à comunicação, estratégias eleitorais e papel ético dos órgãos oficiais. A programação inclui mesas-redondas, minicursos, apresentações de artigos científicos e relatos de experiências.

Foco no cidadão e combate à autopromoção

A vice-presidente de Relações Legislativas e Governamentais da ABCPública e servidora do Senado Federal, Rachel Gonçalves, destaca que esta é a 3ª edição da iniciativa.
“A comunicação pública é aquela feita para o cidadão e pelas instituições e órgãos públicos. Mas a questão principal é: a serviço de quem essa comunicação está? A comunicação pública traz justamente o cidadão para o centro do debate, das discussões e para o centro da informação, inclusive”.
Segundo Rachel, a comunicação das instituições — inclusive da Câmara dos Deputados e do Senado Federal — deve priorizar o interesse coletivo e a participação social.
“O objetivo é fazer com que toda a comunicação desses órgãos públicos seja feita única e exclusivamente com o interesse no cidadão, chamando esse cidadão à participação, não tratando esse cidadão simplesmente como um receptor de informação”.
Ela ressalta que, na prática, muitos órgãos ainda priorizam a autopromoção de gestores e políticos.
“Se a gente entender a comunicação como um direito humano, vai entender que a comunicação pública é um ator fundamental para que todo cidadão consiga exercer plenamente a cidadania e participar do processo democrático”.

Política de Estado e marco regulatório

A dirigente defende que os candidatos incluam a comunicação pública em seus planos de governo, ao lado de pautas como segurança, saúde e educação.
“A comunicação pública tem que estar como política de Estado, e não de governo. Que saia gestor, entre gestor, mas aqueles princípios daquela comunicação sejam exercidos, independentemente de quem esteja naquele momento”.
Para Rachel, a carta fortalece o controle social democrático: “Quem for eleito, a gente vai poder dizer: ‘Está faltando transparência e clareza, mas você assinou lá atrás uma carta de compromisso’”.
A vice-presidente lembra ainda avanços legislativos recentes, como a aprovação da  Política Nacional de Linguagem Simples pelo Congresso Nacional.
“Linguagem simples não é só trocar uma palavra por outra. É pensar na arquitetura da informação, no design do documento e também na linguagem”.
Ela cita também a Lei de Acesso à Informação (LAI), a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e destaca a tramitação de um projeto na Câmara que prevê uma lei geral para a comunicação pública, com diretrizes para todas as esferas governamentais.

Inteligência artificial e desinformação

Rachel Gonçalves afirma que a inteligência artificial (IA) representa um grande desafio e está diretamente ligada ao enfrentamento da desinformação:
“A própria forma de busca das pessoas está mudando. Muitas vezes, em vez de usar um buscador, ela já vai direto para um robô de conversa (chatbot). A IA dá ferramentas para impulsionar a desinformação, mas, da mesma forma que existe o uso ruim, existe o bom uso da ferramenta”.
Segundo a dirigente, as representações da ABCPública nos estados atuarão para dar capilaridade ao documento junto a diretórios e candidatos em todo o país: “A ideia é que a carta chegue a todo o Brasil. Porque o Brasil não é apenas Brasília”.
Confira página especial da Câmara sobre as Eleições 2026
Mais notícias sobre as Eleições 2026

source
Com informações da Câmara Federal

Share.

Deixe uma respostaCancelar resposta

Exit mobile version