Indicado ao Prêmio Governador do Estado de São Paulo de 2025 na categoria Iniciativas Culturais do Setor Público, oficializada por lei no Calendário de Eventos de Estado de São Paulo e aprovado pela Câmara Municipal como Patrimônio Cultural Imaterial a tradicionalissima encenação da Paixão de Cristo de Santa Isabel chega em sua vigésima sexta edição repleta de inovações e surpresas.
O diretor do espetáculo e secretário de Cultura Emerson Bicudo conta que o ano de 2025 foi uma comemoração de vinte e cinco anos onde foi evidenciado o clássico e a obra de William Shakespeare e que para esse ano, a encenação retorna às suas raizes. Um teatro popular, feito pelo povo e para Ele.
Para isso, a montagem toma por referência a obra “O mártir do Calvário”, escrito pelo dramaturgo carioca, nos idos de 1901, que se tornou em um dos maiores sucessos do circo-teatro no Brasil durante a primeira metade do século XX, que foi convertido na espetacular montagem A Rua da Amargura pelo Grupo Galpão, com texto de Eduardo Garrido e que foi televisionado pela Rede Globo em 2003 no especial “A Paixão segundo Ouro Preto”. Essas duas montagens serviram de base referencial para a encenação de 2026 pela “A Companhia de Teatro”, companhia de teatro formada de atores profissionais, amadores e voluntários para a encenação isabelense.
Todos os anos, desde 2015, a direção da peça escolhe um versículo das Escrituras Sagradas para nortear os trabalhos. A primeira inovação acontece nesse campo. Para esse ano não haverá um versículo em si, mas o próprio nome da peça evidenciará a montagem de 2026. “A Paixão de Cristo segundo Santa Isabel.”
Pela história as encenações da Paixão de Cristo surgiram na Idade Média, entre os séculos X e XIII, no contexto da liturgia cristão europeia. Inicialmente, eram pequenas dramatizações realizadas dentro das igrejas, em latim, como parte das celebrações da Semana Santa, especialmente para tornar os relatos Bíblicos mais compreensíveis a uma população majoritariamente analfabeta.
Com o tempo, essas representações ganharam elementos cênicos, música e personagens, passando a ser encenadas fora dos templos, em praças e espaços públicos. A mudança para o espaço urbano marcou o nascimento dos chamados ‘dramas litúrgicos’ e ‘mistérios medievais’, nos quais a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo se tornaram o eixo central.
A partir dos séculos XIV e XV, as encenações assumiram caráter popular e comunitário, envolvendo corporações de ofício, moradores e confrarias, consolidando-se como práticas de educação religiosa, mediação cultural e construção de identidade coletiva.
Com a colonização, essa tradição foi trazida para a América Latina, onde se enraizou profundamente ganhando adaptações locais, como ocorre no Brasil, mantendo até hoje sua função simbólica, pedagógica e cultural.
“A Paixão de Cristo segundo Santa Isabel” é sobre esse retorno à cultura e religiosidade popular.
Cultura popular é o conjunto de práticas, saberes, expressões simbólicas e formas de sociabilidade produzidas e compartilhadas coletivamente pelas comunidades, transmitidas sobretudo pela oralidade, pela experiência e pela tradição. Ela se constrói no cotidiano, em diálogo com a história, o território e as vivências sociais, expressando valores, crenças, memórias e identidades. Autores como Câmara Cascudo e Darcy Ribeiro destacam a cultura popular como dinâmica, híbrida e constantemente recriada.
Na montagem de 2026 a encenação evidenciará a cultura popular regional e isabelense de forma marcante. A encenação incorporara linguagens locais, sotaques, músicas regionais, figurinos artesanais e os modos próprios de narrar a História Sagrada, aproximando o drama Bíblico da comunidade.
Também dialogará com manifestações populares como o teatro de rua, danças como o moçambique, congada, reisado, o cortejo, a religiosidade popular, festas comunitárias e a tradição da encenação e marco histórico na Pessoa de Jesus que sendo Deus, honrou o Pai em Sacrifício na cruz para a Salvação de todo o que nEle crê, transformando a Paixão de Cristo em um potente instrumento de mediação cultural, democratização do acesso às artes e fortalecimento da identidade cultural e do pertencimento social.
Outra novidade é a escalação do elenco, que muda todos os anos, porém para esse ano, 2026 o papel do protagonista Jesus Cristo ficará pela primeira vez com o ator Adonai Fajioni; Simão Pedro este ano será interpretado pelo ator Elvis de Jesus. Emerson Bicudo, que interpretou Jesus por mais de duas décadas encenará agora o outro lado, interpretando o papel do ‘capeta’. Maria, mãe de Jesus, será interpretada por Débora Almeida no espetáculo; André Coimbra, além de ser assistente de direção será Caifás; Judas Iscariotes será encenado por Pedro Henrique; Rogério Saraiva interpreta o anjo Gabriel; Uriel Gouveia será Herodes Antipas, aderecista e contra-regra; Vitor Martins será Pôncio Pilatos e sua esposa, Cláudia Prócula por Lavínia Montarroios; a atriz e cantora Marília Saraiva entrará no personagem de Maria Madalena, encenando e cantando com o coro cênico, trazendo emoção e tocando os corações com a arte musical, além de outros personagens.
O figurino também será todo reaproveitado; os figurinos anteriores serão desconstruídos para uma nova formulação que expressem o desejo de impressão popular nas vestimentas das personagens, assim como uma extensa pesquisa de músicas religiosas populares e feitos dramáticos inovadores que evidenciam também a brasilidade da montagem.
A encenação acontecerá na Semana Santa, Sexta-feira da Paixão, dia 03 de abril de 2026 a partir das 20 horas na tradicional “colina sagrada” da Praça 1812, em frente a igreja matriz. Com entrada livre e gratuita.
