A reunião desta terça-feira (06/10) da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Jockey Club contou com depoimentos de representantes da empresa de auditoria e consultoria Forvis Mazars. A rede global de serviços profissionais especializada foi contratada pelo clube para analisar o período financeiro entre 2023 e 2024 da instituição. Outros dois intimados não compareceram à reunião e encaminharam justificativas.
Oitivas
O encontro, conduzido pelo presidente do colegiado, vereador Gilberto Nascimento (PL), recebeu Paulo Misse – sócio da Forvis Marvis – e Andreia Gini de Souza – contadora da mesma empresa. Por meia hora responderam aos questionamentos em torno de valores que entraram no caixa do Jockey Club durante o período analisado, porém sem saída constatada.
Sócio da empresa de auditoria e consultoria, Paulo Misse declarou que não participou dos trabalhos e que o documento entregue buscou assegurar que as demonstrações financeiras, do ponto de vista contábil, não têm nenhuma distorção relevante.
“A gente emite a nossa opinião a respeito, contudo a auditoria não apresenta 100% de razão, ela é uma asseguração razoável, a gente trabalha com amostras. A única forma da gente conseguir ter uma segurança absoluta seria vendo todas as documentações.”
Já a contadora Andreia Gini de Souza deu detalhes técnicos sobre o serviço contratado, apesar de reafirmar ao longo da oitiva não recordar exatamente os valores em questão. Segundo o levantamento, houve um impacto considerável na contabilidade do Jockey Club de São Paulo. Ela ainda pontuou que o relatório não constou a capacidade financeira do cliente.
“A contabilidade foi feita de maneira errada, há uma diferença de aproximadamente R$ 1 bilhão. O ativo imobilizado e o patrimônio líquido estavam superavaliados, não tinha como pagar o montante, então era preciso buscar recursos no mercado. Identificamos a entrada de valores e o que entrou no caixa foi utilizado para despesas, porém houve deficiências relevantes e repassamos à administração.”
A CPI também intimou para esta reunião Benjamin Steinbruch, ex-presidente do Jockey Club de São Paulo, e pediu a coercitiva de Roberto de Almeida Demenato Garcia, sócio da TDC Consultoria. O primeiro encaminhou advogados à Câmara de Vereadores que afirmaram que Benjamin Steinbruch está fora do país, mas pretende participar. Já o segundo aguarda decisão da justiça quanto ao comparecimento.
Repercussão na CPI
Após as oitivas, o presidente da CPI do Jockey Club, Gilberto Nascimento conversou com a reportagem da Rede Câmara SP e fez um balanço da reunião. O parlamentar declarou haver inconsistências ao identificar uma incapacidade do clube em realizar os pagamentos à Prefeitura.
“A própria consultoria demonstrou isso, pois mesmo inflando os valores em mais de R$ 1 bilhão, a gente começa a observar incertezas e a ficar muito preocupado. Atualmente, se vier uma proposta para a cidade de São Paulo, do Jockey Club, para sanar essas dívidas, o que traz o relatório é que eles não têm saúde financeira.”
O vereador também comentou sobre os TDCs (Transferência do Direito de Construir), instrumento urbanístico que possibilita a realocação do potencial construtivo não utilizado de um imóvel para outro terreno. “Eles identificaram sim os pontos de entrada, mais de R$ 150 milhões de reais, mas não identificaram ainda todos os pontos de saída para todos aqueles repassaram os TDCs. Então, há uma incongruência de informações financeiras em torno das gestões anteriores.”
A reunião da CPI do Jockey Club pode ser vista neste link.
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Com informações da Câmara Municipal de São Paulo
